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Redação ABC

Erros, arrependimento e esperança. Estes, hoje, são os principais sentimentos do presidente do Sport, Sílvio Guimarães. Em entrevista a equipe do Diario de Pernambuco o mandatário fez algumas revelações importantes.  Comentou da mágoa que sente por não ter conseguido “administrar vaidades” no clube e mostrou-se decepcionado com o posicionamento de alguns ex-companheiros. Exaltando, assim, o arrependimento de ter se tornado presidente do clube.

Mas Silvio Guimarães, marcado pela jogada de toalha, também falou das expectativas para o próximo ano. A confiança no retorno a Primeira Divisão esteve presente na entrevista.  Apesar disso, o presidente parece não querer os louros da, possível, volta a elite do futebol. Com todas as letras, ele afirmou que encerra a atividade de dirigente com o fim do mandato. “Não há a menor possibilidade de reeleição ou, até, de assumir qualquer cargo.”

 

Como pensar em 2010 apenas com 50% da cota do Clube dos Treze?

Primeiro temos que cair na realidade. Além de reduzir em 50% a nossa receita dentro do Clube dos Treze ainda existe um passivo do Sport com a entidade, de gestões anteriores, no valor superior a R$ 4,5 milhões. Eu estou tentando negociar com o presidente Fábio Koff para que ele possa tirar o mínimo possível ou, pelo menos, possa empurrar com a barriga, como se diz na gíria, para não mexer neste orçamento de 2010. O Sport é um dos integrantes do Clube dos Treze, politicamente apoia o presidente Fábio Koff e é viável que ele tire o mínimo possível do passivo lá encontrado. Eu não consegui tirar um tostão da verba que tinha lá. O passivo continua. Depois é trazer jogadores dentro deste orçamento financeiro. Não adianta pagar salários irreais a jogadores e no final de mês não conseguir honrar o compromisso financeiro. E, por último, é liberar aqueles jogadores que não aceitarem a nossa proposta (casos de Durval e Hamilton) e tenham salários altos para a segunda divisão. Assim temos que contratar jogadores que venham disputar a Série B com uma boa condição técnica e com salários bem inferiores ao que se pagou em 2009.

Dentro deste contexto, o que se está sendo levado em conta para se formar o grupo de jogadores para 2010?

Já existe uma base. Além disso, existem os jogadores que foram indicados pelo técnico Givanildo Oliveira. Pedimos que ele indicasse jogadores por uma espécie de ranking, ou seja, 1, 2, 3 e já estamos tentando trazer nesta ordem. Se não conseguirmos o primeiro, vamos buscar o segundo e assim por diante. Já existem alguns jogadores praticamente contratados. Mas a dificuldade é grande. Alguns atletas estão de férias, outros desligam o celular e existem aqueles que estão em locais de difícil contato no interior. Sem falar nos que fazem leilão dizendo que tais e tais clubes estão interessados. Às vezes é verdade e em outras é pura invenção.

Essa é a principal dificuldade presidente? Ou a queda para a segunda divisão está dificultando bastante também?

Não. A queda não. Dos jogadores indicados por Givanildo (lê uma relação, mas sem mostrar os nomes) existem quatro jogadores que atuaram na primeira divisão, além de 12 que jogaram da segunda. Tudo recai no nosso orçamento financeiro e o treinador sabe disso. O campeonato começa dia 13, mas vai até o final de maio. Se o torcedor chegar junto e espero que chegue como os corintianos e vascaínos fizeram, a gente pode trazer outros jogadores que reforcem ou façam parte do elenco, pois temos alguns atletas cobiçados e pode ficar difícil mantê-los aqui.

Por falar em Corinthians e Vasco, os dois clubes fizeram campanhas de marketing voltadas para os torcedores na Série B. Este também é o objetivo do Sport já que está lançando uma campanha de sócio torcedor?

Esse é o nosso objetivo junto com a agência Marta Lima, que agora trabalha com o marketing do Sport. Nos reunimos duas vezes por semana junto com o pessoal do departamento financeiro e administrativo. Já lançamos uma campanha publicitáriaforte (vai escolher o nome da campanha de sócio torcedor) e eu conto com o torcedor. Vamos começar o ano com muita dificuldade no ponto de vista financeiro. Com 13º salário para pagar, o mês de dezembro que venceu dia 5 e o torcedor te quem chegar junto. O conselheiro pagar sua taxa, os proprietários de cadeiras e camarotes.

Em sua visão o principal objetivo do Sport, além de voltar à primeira divisão, é vencer a Copa do Brasil pela visibilidade que ela já deu ao clube?

Não. A principal conquista é a primeira: o Campeonato Pernambucano. É o pentacampeonato. Existe um desejo nosso que é chegar ao hexa e tentar ultrapassar o principal adversário, o Náutico. O principal objetivo nosso é ganhar o Pernambucano. A Copa do Brasil virá depois e posteriormente vem a Série B. Na reunião do Clube dos Treze (realizada na última terça-feira) era quase uma unanimidade que entre os clube que se apresentam, fora os de camisa do eixo Rio e São Paulo, o Sport está sempre no meio para conquistar as quatro vagas.

Em 2010 o que será mais difícil: recuperar a auto-estima do torcedor e lotar a Ilha ou montar a equipe?

Montar a equipe será mais difícil. O torcedor já tem a auto-estima muito forte. É fanático e nas horas de dificuldade ele sempre chega e ajuda. Montar a equipe é mais complicado. Vou dar uma exemplo: Fui atrás de um jogador que disputou a Série B deste ano. Ele é do interior de São Paulo e recebe R$ 17 mil em sua equipe. Para vir defender o Sport solicitou R$ 40 mil. Nós tentamos diminuir para R$ 25 mil, mas ele só aceitou R$ 35 mil. Segundo ele tem outras equipes que estão interessadas nele.

Quais foram os erros de 2009 que o Sport não pode repetir em 2010?

O principal foi a contratação de Leão. Eu esperava muito dele. Fiz uma pesquisa antes de contratá-lo com pessoas do mais alta gabarito dentro do Sport, ex-presidentes, ex-diretores, conselheiros e Leão era uma unanimidade. Não teve uma pessoa que disse que ele não deveria ser contratado. Uma minoria apenas dizia que o salário era alto e seria arriscar muito. O outro problema foi a má performance física. Não fizemos uma pré-temporada. O time entrou direto no Campeonato Pernambucano em busca de um tetra. Entramos direto também na Libertadores ainda no estadual e teve também a psicose da eliminação da competição continental. Isso aconteceu com o Grêmio, com o Fluminense e com o próprio Cruzeiro depois de perder a Libertadores. Aí chegou Leão que não valorizou a parte física e o time teve um desgaste imenso.

O perfil do departamento de futebol do Sport vai mudar completamente com a sua presença mais direta?

Terá que ser diferente sim. Não posso deixar de reconhecer que o perfil do departamento de futebol que começou 2009 era vencedor. Guilherme (Beltrão) e Álvaro (Figueiras) são diretores vencedores. Eles subiram para primeira divisão, foram tetracampeões pernambucano, campeões da Copa do Brasil#só que sofreram um desgaste muito grande do começo ao meio do Brasileiro. A torcida hostilizando eles, hostilizando o departamento que eu entreguei de mão beijada porque o lema da nossa campanha era “Continuidade e Trabalho” e o departamento de futebol ficaria com Guilherme Beltrão, Álvaro Figueira e o ex-presidente (se referindo a Milton Bivar, que não gosta de citar o nome). Eu deleguei todos os poderes a eles porque era a bandeira da nossa campanha política.

O Senhor se arrepende de ter tomado essa decisão?

Muito… muito… muito. Eu nunca tive vontade de ser presidente do clube, em que pese todo torcedor ter esse desejo um dia, mas em nenhum momento eu quis ser. O primeiro nome indicado foi o meu e não aceitei. Foi lançado outro nome e saímos da reunião com esse segundo nome definido para apoiar (Carlos Frederico, ex-vice-presidente de marketing), mas não houve densidade eleitoral, pois ele não tinha um perfil de história dentro do clube e o corpo associativo gosta de eleger aqueles que tem história dentro do clube. Voltaram a insistir que eu assumisse. Eu ainda relutei um pouco, mas acabei aceitando. Mantive todos os vices-presidentes, toda a diretoria do ex-presidenteaqui e chegou nisso. Eu sou um homem sofrido, muito sofrido pela consequência de ter levado o Sport à segunda divisão. Não era esse o meu perfil. Eu queria continuar na primeira, receber livre essa cota do Clube dos Treze porque aí, com esses R$ 4 milhões sendo tirados, eu teria condições de ter uma verba de R$ 12,5 milhões e daí para frente fazer um time cada vez mais forte e investir no Centro de Treinamento. Houve esse arrependimento porque eu não queria. Não queria ser presidente do Sport. O meu orgulho é ser torcedor do Sport não é ser presidente. Venho sofrendo junto com a minha família. A torcida vai fazer o Sport subir em 2010 para a primeira divisão.

O que o senhor abriu mão por conta do Sport em relação à família e o seu lado profissional?

Primeiro uma frase que uma das minhas filhas disse a mim: “Meu pai, nunca mais conseguimos almoçar dia de domingo juntos”. Segundo, algumas das minhas filhas são hostilizadas quando o Sport perde uma partida e são reconhecidas e, terceiro, a amargura que elasestão passando porque gostariam de ver o Sport cada vez mais forte. Sofrem o dobro porque é o pai que está passando este drama. Ficam contando os dias em que eu chegue no final do meu mandato. Qualquer que seja o resultado, subindo ou não, sendo penta ou não, é uma unanimidade entre minha esposa, minhas filhas, minhas irmãs e meu pai que eu saia logo.

Não existe chance de reeleição então?

Nenhuma. Não há a menor possibilidade não só de reeleição como também de cargo. Eu encerro a minha participação no Sport ao final do meu mandato. Eu já fui todos os cargos no Sport, menos presidente do conselho. Já fui atleta, sou benemérito do clube, tenho uma família tradicionalmente rubro-negra, todos nós usamos o clube como uma segunda família. Tenho uma auto-estima imensa pelas cores do Sport, os livros, as medalhas, as camisas, mas ao acabar o meu mandato encerra a minha participação em cargos diretivos.

O ex-presidente do Santa Cruz, em certo momento, disse uma frase interessante: “Todo homem de bem que passa pelofutebol não volta”. O senhor pensa da mesma forma?

Penso sim. Mas não é só por ser um homem de bem reconhecidamente. É principalmente pelas traições e vaidades. Confesso uma coisa: Quando fui eleito presidente, no outro dia, fui almoçar com meu pai (Haroldo Praça) e recebi ligações de Vanderson Lacerda, Luciano Bivar, Severino Otávio, entre outros rubro-negros. E perguntei ao meu pai qual o ensinamento que ele poderia me dar para administrar melhor o Sport. O que me aconselharia com os seus 93 anos. E ele me respondeu: “meu filho você só será um grande presidente se administrar as vaidades”. Eu não dei valor a isso. No momento pela minha euforia por ter sido eleito presidente não dei valor a isso e hoje vejo que ele é um sábio. Eu não consegui, no meu primeiro ano, administrar as vaidades. Foi o meu grande erro.

Com a queda do Sport para a Série B do Brasileiro como ficará a questão dos antigos e novos patrocinadores e parceiros do clube?

Estamos tratando desta questão com uma ajuda muito grande do grupo Moura Dubeux. Estamos tentando renovar com o Cimento Nassau, Shineray, algumas placas de publicidade, inclusive com a empresa do ex-presidente Luciano Bivar (referindo-se a Excelsior Saúde). E vamos em busca de mais. Vamos ter que superar a queda de 50% da cota do Clube dos Treze com novos parceiros. Até porque não vamos conseguir pagar a folha só com o dinheiro do Clube dos Treze. Temos que partir para esses investimentos na área de publicidade, propaganda e marketing. Os contratos estão sendo feitos. Já apareceram outros investidores fazendo propostas e acredito que nos próximos dez dias estaremos fechando esses contratos. A marca Sport é muito forte. Estive no Rio de Janeiro e duas empresas, uma paulista e outra mineira, me procuraram para saber da possibilidade de anunciar no calção. 

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